A história da bandeira senegalesa é a história de uma sucessão de épocas políticas breves: dos Estados pré-coloniais à República independente, passando pela dominação francesa e por uma federação efémera. Cada etapa deixou a sua marca na aparência da bandeira atual.
Período pré-colonial. Antes da chegada dos europeus, no território do atual Senegal existiam grandes formações estatais — o império do Jolof (séculos XIV-XVI), os reinos de Cayor, Baol, Sine, Saloum e Waalo e, no sudeste, partes dos impérios do Mali e do Songai. Estes Estados não possuíam «bandeiras» no sentido europeu, mas usavam estandartes, tecidos ornados e emblemas totémicos dos seus soberanos — os damels. A paleta verde-amarelo-vermelho, que mais tarde viria a inspirar a bandeira, não era aqui empregue diretamente: entrou na vexilologia africana através da Etiópia e do movimento pan-africano do século XX.
Época colonial francesa (1659-1958). Saint-Louis, fundada pelos franceses em 1659, é considerada a primeira implantação europeia permanente da África Ocidental; foi a partir dela que se estendeu a colonização progressiva do país. Sobre este território hastearam-se diferentes bandeiras francesas — dos estandartes reais com flores-de-lis ao tricolor da Revolução Francesa. No século XIX, após as conquistas do general Louis Faidherbe e de outros, o Senegal tornou-se uma colónia-chave da África Ocidental Francesa (Afrique Occidentale Française, AOF), cuja capital foi fixada em Dakar a partir de 1902. A AOF não dispunha de bandeira oficial própria — usava-se o tricolor francês; apenas algumas unidades auxiliares, como os Tirailleurs sénégalais, tinham os seus próprios estandartes regimentais.
Autonomia e Federação do Mali (1958-1960). Em 25 de novembro de 1958, o Senegal tornou-se república autónoma no âmbito da Comunidade Francesa. Em 4 de abril de 1959, o Senegal e o Sudão Francês (o atual Mali) formaram a Federação do Mali, dotada de uma bandeira comum: um tricolor vertical verde-amarelo-vermelho com uma figura humana estilizada a preto — o «kanaga» — no centro da faixa amarela. Este símbolo-máscara, tomado da cultura dogon, devia encarnar a África Negra. Em 20 de junho de 1960, a federação proclamou a sua independência da França, mas apenas dois meses depois, em 20 de agosto de 1960, o Senegal retirou-se da união devido às divergências políticas entre Senghor e Modibo Keïta.

Bandeira da República independente do Senegal (desde 1960). Nesse mesmo 20 de agosto de 1960, o Senegal adotou a sua própria bandeira. O desenho conservou a disposição vertical e a tríade pan-africana de cores herdada da federação, mas a máscara kanaga preta no centro da faixa amarela foi substituída por uma estrela verde de cinco pontas. Esta decisão é atribuída pessoalmente a Léopold Sédar Senghor, poeta e primeiro presidente do país (1960-1980): a estrela devia sublinhar simultaneamente a identidade africana, a harmonia entre as tradições muçulmana, cristã e animista e uma visão universalista do mundo. Desde então, a bandeira não foi alterada — um caso raro de estabilidade na África Ocidental. O seu estatuto está fixado no artigo 1.º da Constituição de 2001: «O emblema da República é a bandeira tricolor verde, ouro e vermelha, em três faixas verticais de iguais dimensões, com uma estrela verde de cinco pontas ao centro.»
A bandeira na vida pública atual. O tricolor senegalês é hasteado sobre o Palácio Presidencial em Dakar, figura nos uniformes do exército nacional e acompanha os atletas senegaleses nos Jogos Olímpicos e na Taça das Nações Africanas — foi precisamente sob estas cores que a seleção nacional de futebol conquistou o seu primeiro troféu da CAF, a CAN de 2021 disputada nos Camarões. A definição constitucional da bandeira é estrita: qualquer alteração exigiria uma revisão da Lei Fundamental, algo que no Senegal — uma das democracias mais estáveis da região — acontece raramente.