Bandeira do Senegal

Bandeira do Senegal

Cores oficiais

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Informações do país

Continente África
População 18,847,519 (2025)
Área 196,712 (2025)
Emoji 🇸🇳
Representação artística Bandeira do Senegal
Representação artística "Bandeira do Senegal"

A bandeira do Senegal é um tricolor vertical composto por três faixas iguais — verde, amarela e vermelha — carregado com uma estrela verde de cinco pontas no centro da faixa amarela. Foi oficialmente adotada em 20 de agosto de 1960, logo após a saída do país da efêmera Federação do Mali, e está consagrada no artigo 1.º da atual Constituição senegalesa. As suas proporções são de 2:3. Trata-se de uma das clássicas bandeiras «pan-africanas» na paleta vermelho-amarelo-verde, mas o que a torna única é justamente essa estrela verde central — uma escolha rara entre as bandeiras africanas, onde são mais comuns as estrelas vermelhas, amarelas ou brancas.

Significado da bandeira do Senegal

A bandeira senegalesa reúne duas tradições: a paleta pan-africana, cuja origem remonta ao tricolor etíope, e uma simbologia nacional própria, em que as cores também são associadas às três grandes comunidades religiosas e étnicas do país e aos valores políticos da jovem república. A estrela verde no centro é o contributo pessoal do primeiro presidente, Léopold Sédar Senghor, que insistia em que a bandeira não devia limitar-se a copiar um padrão continental, mas afirmar igualmente uma identidade própria.

  • Faixa verde (lado da tralha). Oficialmente, o verde simboliza a esperança e a fé que os senegaleses depositam no seu próprio futuro após a independência. Na leitura religiosa, assumida pela tradição de Estado, o verde está associado ao islão e ao profeta Maomé — algo simbolicamente importante num país em que os muçulmanos constituem cerca de 95% da população. Ao mesmo tempo, na tradição vexilológica, o verde nas bandeiras africanas é também frequentemente lido como sinal da terra fértil, da savana e da agricultura, sobre a qual historicamente assentou a economia da região.
  • Faixa amarela (central). O amarelo é a cor da riqueza, mas não num sentido estritamente material: a interpretação oficial sublinha as riquezas da cultura, das artes e do trabalho intelectual, o que está particularmente em sintonia com o pensamento de Senghor poeta, um dos fundadores do movimento da Negritude. Na leitura religiosa, o amarelo está ligado à comunidade cristã do país. Em vexilologia, o amarelo colocado entre o verde e o vermelho simboliza tradicionalmente o sol do Sahel e o ouro — uma alusão aos grandes impérios mercantes da África Ocidental, em particular o antigo Mali e o antigo Gana.
  • Faixa vermelha (lado do batente). O vermelho é oficialmente interpretado como a cor da vida, da determinação e do sangue derramado na luta pela independência. Está também simbolicamente associado às crenças animistas tradicionais de parte dos povos senegaleses — sobretudo dos serer e de alguns grupos wolof. Na leitura vexilológica, o vermelho é o sinal universal do sacrifício e da disposição para defender a liberdade conquistada.
  • Estrela verde de cinco pontas. A estrela no centro da faixa amarela é o principal traço distintivo da bandeira senegalesa face aos tricolores vizinhos. As cinco pontas são tradicionalmente lidas como os cinco continentes e como a abertura do Senegal ao mundo — uma ideia muito cara a Senghor e à sua noção de «civilização do universal». Em chave religiosa, a estrela aparece como símbolo da união das diferentes confissões sob um mesmo céu. Na retórica oficial, a cor verde da estrela reforça os temas da esperança e do laço com a tradição islâmica. A própria forma da estrela de cinco pontas remete ainda para a simbologia da Federação do Mali, da qual o Senegal fez parte durante alguns meses, em 1959-1960.

História da bandeira do Senegal

A história da bandeira senegalesa é a história de uma sucessão de épocas políticas breves: dos Estados pré-coloniais à República independente, passando pela dominação francesa e por uma federação efémera. Cada etapa deixou a sua marca na aparência da bandeira atual.

Período pré-colonial. Antes da chegada dos europeus, no território do atual Senegal existiam grandes formações estatais — o império do Jolof (séculos XIV-XVI), os reinos de Cayor, Baol, Sine, Saloum e Waalo e, no sudeste, partes dos impérios do Mali e do Songai. Estes Estados não possuíam «bandeiras» no sentido europeu, mas usavam estandartes, tecidos ornados e emblemas totémicos dos seus soberanos — os damels. A paleta verde-amarelo-vermelho, que mais tarde viria a inspirar a bandeira, não era aqui empregue diretamente: entrou na vexilologia africana através da Etiópia e do movimento pan-africano do século XX.

Época colonial francesa (1659-1958). Saint-Louis, fundada pelos franceses em 1659, é considerada a primeira implantação europeia permanente da África Ocidental; foi a partir dela que se estendeu a colonização progressiva do país. Sobre este território hastearam-se diferentes bandeiras francesas — dos estandartes reais com flores-de-lis ao tricolor da Revolução Francesa. No século XIX, após as conquistas do general Louis Faidherbe e de outros, o Senegal tornou-se uma colónia-chave da África Ocidental Francesa (Afrique Occidentale Française, AOF), cuja capital foi fixada em Dakar a partir de 1902. A AOF não dispunha de bandeira oficial própria — usava-se o tricolor francês; apenas algumas unidades auxiliares, como os Tirailleurs sénégalais, tinham os seus próprios estandartes regimentais.

Autonomia e Federação do Mali (1958-1960). Em 25 de novembro de 1958, o Senegal tornou-se república autónoma no âmbito da Comunidade Francesa. Em 4 de abril de 1959, o Senegal e o Sudão Francês (o atual Mali) formaram a Federação do Mali, dotada de uma bandeira comum: um tricolor vertical verde-amarelo-vermelho com uma figura humana estilizada a preto — o «kanaga» — no centro da faixa amarela. Este símbolo-máscara, tomado da cultura dogon, devia encarnar a África Negra. Em 20 de junho de 1960, a federação proclamou a sua independência da França, mas apenas dois meses depois, em 20 de agosto de 1960, o Senegal retirou-se da união devido às divergências políticas entre Senghor e Modibo Keïta.

História da bandeira do Senegal

Bandeira da República independente do Senegal (desde 1960). Nesse mesmo 20 de agosto de 1960, o Senegal adotou a sua própria bandeira. O desenho conservou a disposição vertical e a tríade pan-africana de cores herdada da federação, mas a máscara kanaga preta no centro da faixa amarela foi substituída por uma estrela verde de cinco pontas. Esta decisão é atribuída pessoalmente a Léopold Sédar Senghor, poeta e primeiro presidente do país (1960-1980): a estrela devia sublinhar simultaneamente a identidade africana, a harmonia entre as tradições muçulmana, cristã e animista e uma visão universalista do mundo. Desde então, a bandeira não foi alterada — um caso raro de estabilidade na África Ocidental. O seu estatuto está fixado no artigo 1.º da Constituição de 2001: «O emblema da República é a bandeira tricolor verde, ouro e vermelha, em três faixas verticais de iguais dimensões, com uma estrela verde de cinco pontas ao centro.»

A bandeira na vida pública atual. O tricolor senegalês é hasteado sobre o Palácio Presidencial em Dakar, figura nos uniformes do exército nacional e acompanha os atletas senegaleses nos Jogos Olímpicos e na Taça das Nações Africanas — foi precisamente sob estas cores que a seleção nacional de futebol conquistou o seu primeiro troféu da CAF, a CAN de 2021 disputada nos Camarões. A definição constitucional da bandeira é estrita: qualquer alteração exigiria uma revisão da Lei Fundamental, algo que no Senegal — uma das democracias mais estáveis da região — acontece raramente.

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