Bandeira dos Camarões

Bandeira dos Camarões

Cores oficiais

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Informações do país

Continente África
População 29,123,124 (2024)
Área 472,710
Emoji 🇨🇲
Representação artística Bandeira dos Camarões
Representação artística "Bandeira dos Camarões"

A bandeira nacional dos Camarões foi oficialmente adotada em 20 de maio de 1975, na sequência da proclamação da República Unida dos Camarões, um Estado unitário. É composta por três faixas verticais de igual largura — verde junto à tralha, vermelha ao centro e amarela na parte exterior — com uma estrela amarela de cinco pontas centrada na faixa vermelha. As proporções são de 2:3. Os Camarões foram um dos primeiros países africanos a adotar as cores pan-africanas da Etiópia (verde, amarelo e vermelho), dispostas numa composição vertical ao estilo francês. A estrela central, conhecida extraoficialmente como «Estrela da Unidade» (l'étoile de l'unité), representa a unificação das partes anglófona e francófona do país num único Estado — processo que moldou o desenho atual da bandeira.

Significado da bandeira dos Camarões

  • A faixa verde (junto à tralha) simboliza a exuberante vegetação tropical do sul, as densas florestas equatoriais da bacia do Congo e a agricultura — pilar da economia camaronesa. Está também associada à esperança e às promessas da jovem nação. Na tradição vexilológica, o verde é igualmente interpretado como a cor dos recursos naturais, dos quais o sul do país é excecionalmente rico — cacau, café, banana e madeira.
  • A faixa vermelha (central) é oficialmente interpretada como símbolo de unidade — razão pela qual a estrela central nela se encontra. Em sentido mais amplo, o vermelho representa a soberania e a independência, bem como o sangue derramado durante a luta contra o domínio colonial, em particular no levantamento anticolonial da UPC (Union des Populations du Cameroun) nas décadas de 1950 e 1960.
  • A faixa amarela (no batente) representa o sol e as savanas do norte, que contrastam com as florestas do sul. O amarelo simboliza ainda a riqueza mineral do país — petróleo, bauxite e minério de ferro. Em conjunto com a faixa verde, reflete a diversidade geográfica dos Camarões, frequentemente apelidados de «África em miniatura».
  • A estrela amarela de cinco pontas ao centro da faixa vermelha é o elemento mais distintivo da bandeira, conhecida como «Estrela da Unidade». Entre 1961 e 1975, a bandeira federal apresentava duas estrelas que representavam os Camarões Orientais (francófonos) e os Camarões Ocidentais (anglófonos). Em 1975, com a substituição da federação por um Estado unitário, as duas estrelas foram fundidas numa só, simbolizando a indivisibilidade da nação e a união de dois territórios historicamente distintos num único país.
  • Cores pan-africanas. Verde, amarelo e vermelho são as cores pan-africanas tradicionais, inspiradas na bandeira da Etiópia — o único país africano que resistiu à colonização europeia. Os Camarões adotaram estas cores logo em 1957, muito antes da independência formal, o que faz do país um dos pioneiros do simbolismo pan-africano no continente.

História da bandeira dos Camarões

Período pré-colonial e Kamerun alemão (até 1916). Antes da chegada dos europeus, o território dos atuais Camarões era habitado por dezenas de grupos étnicos e reinos tradicionais — Bamum, Bamileke, Fula e outros — cada um com os seus próprios símbolos dinásticos. Em 1884, o Império Alemão proclamou o protetorado de Kamerun, após a assinatura de um tratado com os chefes locais em Duala. Sobre estas terras erguia-se a bandeira imperial alemã — um tricolor horizontal preto, branco e vermelho. Nunca foi oficialmente adotada uma bandeira colonial com heráldica especificamente camaronesa, embora em 1914 estivesse a ser desenvolvido um projeto com a figura de um elefante, que nunca chegou a vigorar devido ao eclodir da Primeira Guerra Mundial.

Mandatos francês e britânico (1916–1960). Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, em 1916 os Camarões foram divididos entre a França e a Grã-Bretanha. Sob mandato da Sociedade das Nações e, mais tarde, sob tutela da ONU, cerca de 80% do território passou para a França (Cameroun français), enquanto a parte restante coube à Grã-Bretanha, que a administrou como Camarões do Norte e Camarões do Sul, em conjunto com a vizinha colónia da Nigéria. Durante este período, a tricolor francesa hasteava-se sobre a zona francesa, enquanto a Union Jack e as bandeiras da administração colonial nigeriana eram içadas nas zonas britânicas.

Autonomia e primeira bandeira nacional (1957). A 29 de outubro de 1957, os Camarões franceses obtiveram autonomia interna e adotaram a sua primeira bandeira nacional — um tricolor vertical verde, vermelho e amarelo, sem quaisquer símbolos adicionais. O desenho foi proposto pelo primeiro primeiro-ministro, André-Marie Mbida, em conjunto com a Assembleia. A escolha das cores pan-africanas foi uma declaração política que alinhava a jovem nação com o mais amplo movimento de libertação africano.

Independência da República dos Camarões (1960). A 1 de janeiro de 1960, os Camarões franceses tornaram-se independentes como República dos Camarões, sob a presidência de Ahmadou Ahidjo. A bandeira de 1957 foi mantida sem alterações. Foi um dos raros casos na história africana em que uma bandeira do período de autonomia transitou, sem modificações, para o estatuto de bandeira de um Estado independente.

História da bandeira dos Camarões

República Federal dos Camarões (1961–1975). A 1 de outubro de 1961, na sequência de um referendo nos Camarões do Sul britânicos, este território juntou-se à República dos Camarões para formar a República Federal dos Camarões. Os Camarões do Norte, por seu lado, optaram por integrar a Nigéria. Foram acrescentadas duas estrelas amarelas de cinco pontas no canto superior da tralha, sobre a faixa verde, em representação dos dois estados da federação: Camarões Orientais (antiga zona francesa) e Camarões Ocidentais (antigo Camarões do Sul britânico). Foi o único período na história do país em que a bandeira ostentou mais de um símbolo.

República Unida e bandeira atual (1975). A 20 de maio de 1972, o presidente Ahidjo convocou um referendo que aboliu a estrutura federal e transformou o país num Estado unitário, a República Unida dos Camarões. A 20 de maio de 1975, a nova bandeira foi oficialmente adotada: as duas estrelas da faixa verde foram substituídas por uma única estrela grande no centro da faixa vermelha, que desde então simboliza a unidade nacional. A disposição básica do tricolor manteve-se inalterada. Em 1984, o presidente Paul Biya rebatizou o país simplesmente como República dos Camarões, mas a bandeira permaneceu igual.

Atualidade. A bandeira dos Camarões não sofre alterações desde 1975. O dia 20 de maio — data em que foi proclamado o Estado unitário — tornou-se feriado nacional, no qual a bandeira desempenha um papel central. Esta data é frequentemente confundida, de forma errónea, com o Dia da Independência, embora a independência efetiva tenha sido alcançada a 1 de janeiro de 1960.

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